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PROVA ENEM 2009 - LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS - CCDA RESOLVE

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REDE DE ESTUDO COLETIVO

Questões de 91 a 135

Questão 91 - Os melhores críticos da cultura brasileira trataram-na  sempre no plural, isto é, enfatizando a coexistência no Brasil de diversas culturas. Arthur Ramos distingue as culturas não europeias (indígenas, negras) das europeias (portuguesa, italiana, alemã etc.), e Darcy Ribeiro fala de diversos Brasis: crioulo, caboclo, sertanejo, caipira e de Brasis sulinos, a cada um deles correspondendo uma cultura específica.

MORAIS, F. O Brasil na visão do artista: o país e sua cultura. São Paulo: Sudameris, 2003.

Considerando a hipótese de Darcy Ribeiro de que há vários Brasis, a opção em que a obra mostrada representa a arte brasileira de origem negro-africana é:

A) Rubem Valentim. Disponível em: http://www.ocaixote.com.br/ . Acesso: em 9 jul. 2009.


B) Athos Bulcão. Disponível em:
http://www.irbr.mre.gov.br/. Acesso: Em 9 jul. 2009.


C) Rubens Gerchman. Disponível em:
http://www.itaucultural.org.br/. Acesso em: 6 jul. 2009.



D) Victor Vassarely. Disponível em:



E) Gougon. Disponível em:
http://www.ocaixote.com.br/. Acesso em:  5 set. 2009.









D.A. RESOLVE


A única alternativa que retrata arte brasileira de origem negro-africana, ainda, manifestada de um momento afroprimitivo é a alternativa A, com representações, através de símbolos primários, um tanto pré-históricos, refletindo, até mesmo, simbologia das cavernas.
Indo aos "links", aparentes ao lado, após os nomes dos demais autores, nas alternativas seguintes, pode-se constatar tendências diversas, todas modernistas. Por curiosidade e aprofundamento cultural, acesse-os, pois comprovam seus estilos, tendências culturais de momentos históricos, por quebras de paradigmas tradicionais, próprias de suas escolas artísticas.


Alternativa A.


Questão 92 - Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo?
Cliente – Estou interessado em financiamento para compra de veículo.
Gerente – Nós dispomos de várias modalidades de crédito. O senhor é nosso cliente?
Cliente – Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco.
Gerente – Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma.

BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).

Na representação escrita da conversa telefônica entre a gerente do banco e o cliente, observa-se que a maneira de falar da gerente foi alterada de repente devido

A)  à adequação de sua fala à conversa com um amigo, caracterizada pela informalidade.
B) à iniciativa do cliente em se apresentar como funcionário do banco.
C) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia (Minas Gerais).
D) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu nome completo.
E) ao seu interesse profissional em financiar o veículo de Júlio.

D.A. RESOLVE


Em primeiro momento, a gerente do banco usou comunicação formal, por dispensar total atenção ao cliente e comprovar-lhe respeito. Nota-se pelos tempos e pessoas verbais e pelos pronomes (lo, pronome pessoal do caso oblíquo e nosso, pronome possessivo), além do tratamento formal, senhor.
Após reconhecer o amigo do banco, a forma de tratar foi toda informal, até excessiva, "Julinho", "cara", "cê", "inda". O nome no diminutivo, demonstra aproximação grande e segura de antigo e bom relacionamento; as formas reduzidas, "cê", por você, "inda", por ainda, "tivesse" por estivesse, além da expressão "cara", mostram, também, o tratamento informal, amistoso e  próprios das comunicação coloquial, do dia a dia.
Apresentam-se, aqui, os elementos essenciais da comunicação: o emissor (ora a gerente, ora o funcionário do banco/cliente), o receptor (ora o funcionário do banco/cliente, ora a gerente), a mensagem (ora formal, pelo inicial desconhecimento do cliente, ora informal, pelo relacionamento, antigo e amistoso, demonstrado pela gerente).

Alternativa A.

Questão 93 - Analise as seguintes avaliações de possíveis resultados de um teste na Internet.


Veja. 8 jul. 2009. p.102 (adaptado).

Depreende-se, a partir desse conjunto de informações, que o teste que deu origem a esses resultados, além de estabelecer um perfil para o usuário de sites de relacionamento, apresenta preocupação com hábitos e propõe mudanças de comportamento direcionadas

A) ao adolescente que acessa sites de entretenimento.
B) ao profissional interessado em aperfeiçoamento tecnológico.
C) à pessoa que usa os sites de relacionamento para complementar seu círculo de amizades.
D) ao usuário que reserva mais tempo aos sites de relacionamento do que ao convívio pessoal com os amigos.
E) ao leitor que se interessa em aprender sobre o funcionamento de diversos tipos de sites de relacionamento.

D.A RESOLVE


Trata-se de uma enquete feita por um site de relacionamento, que procura apresentar, identificar e distinguir perfis de internautas específicos e pelos questionamentos comprova o interesse e a dedicação de maior tempo à leitura, à interpretação das questões e respectivas alternativas; no entanto, em nada manifesta-se sobre os diferentes tipos de sites de relacionamento, nem sobre avanços tecnológicos.
Mostra, apenas, um formato a ser seguido, analisado e de inclusão.
As citadas buscas são próprias de pessoas que pretendem doar maior tempo a tais assuntos, despreocupando-se com o que passa mundo afora. Por não se tratar de conteúdos próprios de entretenimento, não haveria, também, interesse por adolescentes, que procuram tais sites e os de pesquisas educacionais, para utilização em seu dia a dia.
Destacou-se, na imagem citada, uma das mais usuais funções da linguagem: a referencial, informativa ou denotativa, em que a intenção do emissor (pessoa que elaborou a enquete = mensagem), transmite-a de modo claro, objetivo, sem admitir mais de uma interpretação, apenas, informa o conteúdo de interesse, o assunto, as ideias, os argumentos.


Alternativa D.


Questão 94 - A música pode ser definida como a combinação de sons ao longo do tempo. Cada produto final oriundo da infinidade de combinações possíveis será diferente, dependendo da escolha das notas, de suas durações, dos instrumentos utilizados, do estilo de música, da nacionalidade do compositor e do período em que as obras foram compostas.




Das figuras que apresentam grupos musicais em ação, pode-se concluir que o(os) grupo(s) mostrado(s) na(s) figura(s)

A) Figura 1 executa um gênero característico da música brasileira, conhecido como chorinho.
B) Figura  2 executa um gênero característico da música clássica, cujo compositor mais conhecido é Tom Jobim.
C) Figura 3 executa um gênero característico da música europeia, que tem como representantes Bethoven e Mozart.
D) Figura  4 executa um tipo de música caracterizada pelos instrumentos acústicos, cuja intensidade e nível de ruído permanecem na faixa dos 30 aos 40 decibéis.
E) Figuras 1 a 4 apresentam um produto final bastante semelhante, uma vez que as possibilidades de combinações sonoras ao longo do tempo são limitadas.

D.A. RESOLVE


A figura 1 está mostrando um grupo musical, conhecido por Regional que, na imagem, foi composto por pequeno número de pessoas, tocando instrumentos populares - violão, bandolim, cavaquinho e pandeiro - e que, pela apresentação e vestimentas, interpretam um chorinho, uma das mais populares demonstrações musicais de nossa cultura. A figura 2 registra apresentação de música clássica, no entanto Tom Jobim, jamais compôs músicas desse gênero e sim composições populares e de estilo cultural mais arrojado, destacando-se em um período dos festivais de músicas populares, de nosso país, compostas e interpretadas, em sua maioria, por jovens universitários. Na figura 2, os compositores são de escolas clássicas, como Bethoven, Mozart, Chopin, Strauss, dentre muitos outros famosos e importantes compositores.Tudo induz pelos instrumentos musicais utilizados: violinos, violoncelos. A figura 3, representada por orquestra de câmara, pode apresentar tanto músicas clássicas ou populares de inúmeras tendências, inclusive as de Tom Jobim. A figura 4, mostra banda de "Rock paulera", integrada por grupo de visual descontraído e "agressivo", intérprete de músicas mais jovens, de época, que apresenta formatos diferentes, de acordo com os momentos, tendências e períodos culturais próprios dessa idade.  

Alternativa A.

Questão 95 - No programa do balé Parade, apresentado em 18 de maio de 1917, foi empregada publicamente, pela primeira vez, a palavra sur-realisme. Pablo Picasso desenhou o cenário e a indumentária, cujo efeito foi tão surpreendente que se sobrepôs à coreografia. A música de Erik Satie era uma mistura de jazz, música popular e sons reais tais como tiros de pistola, combinados com as imagens do balé de Charlie Chaplin, caubóis e vilões, mágica chinesa e Ragtime. Os tempos não eram propícios para receber a nova mensagem cênica demasiado provocativa devido ao repicar da máquina de escrever, aos zumbidos de sirene e dínamo e aos rumores de aeroplano previstos por Cocteau para a partitura de Satie. Já a ação coreográfica confirmava a tendência marcadamente teatral da gestualidade cênica, dada pela justaposição, colagem de ações isoladas seguindo um estímulo musical.

SILVA, S. M. O surrealismo e a dança. GUINSBURG, J.; LEIRNER (Org.). O surrealismo. São Paulo: Perspectiva, 2008 (adaptado).

As manifestações corporais na história das artes da cena muitas vezes demonstram as condições cotidianas de um determinado grupo social, como se pode observar na descrição acima do balé Parade, o qual reflete

A)  a falta de diversidade cultural na sua proposta estética.
B) a alienação dos artistas em relação às tensões da Segunda Guerra Mundial.
C)  uma disputa cênica entre as linguagens das artes visuais, do figurino e da música.
D)  as inovações tecnológicas nas partes cênicas, musicais, coreográficas e de figurino.
E)  uma narrativa com encadeamentos claramente lógicos e lineares.

D.A. RESOLVE


Na mensagem citada, notam-se tendências inovadoras para a época que chocaram e quebraram os paradigmas sociais, procurando acabar com tabus e com os hábitos tradicionais, a começar pelo cenário e pelas vestimentas, desenhadas por uma das maiores expressividades de todos os tempos - Pablo Picasso. Os arranjos musicais sobrepuseram-se por efeitos de novos elementos: tiros, sons de máquina de escrever, zumbidos de sirenes, por exemplo e apresentaram misturas de estilos musicais, formando nova composição adaptada às intenções atingíveis. E a própria coreografia marcada de forma teatral da gestualidade cênica.
Tudo tão inovador e imprevisível à sociedade da época que vivia momentos tão graves: a Guerra.

Alternativa D.

Texto para as questões 96 e 97


BRASIL. Ministério da Saúde, 2009 (adaptado).



Questão 96 - Os principais recursos utilizados para envolvimento e adesão do leitor à campanha institucional incluem

A)  o emprego de enumeração de itens e apresentação de títulos expressivos.
B)  o uso de orações subordinadas condicionais e temporais.
C)  o emprego de pronomes como “você” e “sua” e o uso do imperativo.
D)  a construção de figuras metafóricas e o uso de repetição.
E)  o fornecimento de número de telefone gratuito para contato.

D.A. RESOLVE


O objetivo da mensagem publicitária é despertar o interesse, a consciência e a série de cuidados a serem tomados, ou seja, as providências e os procedimentos necessários para proteção e para se evitar proliferação e contaminação.
A intenção é um vocabulário aproximador, por tratar-se de chamada, de fazer com que os leitores leiam, prestem atenção, conscientizem-se, previnam-se e orientem demais pessoas de seu relacionamento; é uma tratativa direta que se nota pelo emprego do pronome de tratamento - você -, do pronome possessivo - sua - e, especialmente, pelo uso dos verbos no modo Imperativo - entre, disque, evite - pessoas verbais concordando com o pronome você, retiradas do presente do modo Subjuntivo, para comporem essas pessoas no Imperativo afirmativo.


Alternativa  C.

Questão 97 - O texto tem o objetivo de solucionar um problema social,

A)  descrevendo a situação do país em relação à gripe suína.
B)  alertando a população para o risco de morte pela Influenza A.
C)  informando a população sobre a iminência de uma pandemia de Influenza A.
D)  orientando a população sobre os sintomas da gripe suína e procedimentos para evitar a contaminação.
E)  convocando toda a população para se submeter a exames de detecção da gripe suína.

D.A. RESOLVE


O texto publicado, no cartaz, tem por objetivo conscientizar a população quanto à gravidade da citada Gripe, orientando-a sobre os sintomas, as precauções e os procedimentos a serem seguidos, como e a quem recorrer, com o propósito de evitar-se extensa contaminação, cuidando-se; embora não focalize, diretamente, a imunização por vacinas, mas subentende.

Alternativa D.

Questão 98 -

      Para o Mano Caetano

1    O que fazer do ouro de tolo
      Quando um doce bardo brada a toda brida,
      Em velas pandas, suas esquisitas rimas?
4    Geografia de verdades, Guanabaras postiças
      Saudades banguelas, tropicais preguiças?

      A boca cheia de dentes
7    De um implacável sorriso
      Morre a cada instante
      Que devora a voz do morto, e com isso,
10  Ressuscita vampira, sem o menor aviso

[...]
      E eu soy lobo-bolo? lobo-bolo
      Tipo pra rimar com ouro de tolo?
13  Oh, Narciso Peixe Ornamental!
      Tease me, tease me outra vez (1)
      Ou em banto baiano
16  Ou em português de Portugal
      Se quiser, até mesmo em americano

      De Natal
[...]

(1)  Tease me (caçoe de mim, importune-me).

LOBÃO. Disponível em: http://vagalume.uol.com.br . Acesso em: 14 ago. 2009 (adaptado).

Na letra da canção apresentada, o compositor Lobão explora vários recursos da língua portuguesa, a fim de conseguir efeitos estéticos ou de sentido. Nessa letra, o autor explora o extrato sonoro do idioma e o uso de termos coloquiais na seguinte passagem:

A)  “Quando um doce bardo brada a toda brida” (v. 2)
B)  “Em velas pandas, suas esquisitas rimas?” (v. 3)
C)  “Que devora a voz do morto” (v. 9)
D)  “lobo-bolo//Tipo pra rimar com ouro de tolo? (v. 11-12)
E)  “Tease me, tease me outra vez” (v. 14)

D.A RESOLVE


Na letra da música de Lobão, composta para homenagear o mano Caetano Veloso e algumas de suas composições, aparecem vários códigos linguísticos nacionais, desde os mais formais aos de linguagem direta, coloquial e, portanto, informal, registrada, exclusivamente, no verso 12, com a palavra TIPO, forma de comunicação muito usada pela comunidade adolescente e jovem.

Alternativa  D.

Questão 99 -

Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993.

Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são

A)  a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.
B)  a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.
C)  o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.
D)  a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.
E)  a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.

D.A. RESOLVE

O Simbolismo foi um período literário, ocorrido entre 1890 e 1920, que superou totalmente a cultura, a mentalidade e a literatura apregoada pelo Realismo (período antecessor) e preparou o advento do Modernismo.
O Simbolismo serviu para representar poetas franceses que tiveram o propósito de provocar uma revolução espiritual, moral e a inédita transformação dos valores para entender a realidade - o Universo, a Natureza, o Homem - e, ainda, provocar completa renovação nos campos filosóficos e nos das ciências da natureza. Destacou-se uma poesia mais rebuscada, fortalecida por vocabulário sofisticado, figurado e a busca de um ser renovado, desapegado de valores outros, que procura identificar-se, transcender e libertar-se. É o caso desta e outras poesias de Cruz e Sousa e de outros expoentes: Olavo Bilac e Araripe Júnior.

Alternativa C.


Texto para as questões 100 e 101


XAVIER, C. Quadrinho quadrado. Disponível em: http://www.releituras.com. Acesso em: 5 jul. 2009.

Questão 100 -  Tendo em vista a segunda fala do personagem entrevistado, constata-se que

A) o entrevistado deseja convencer o jornalista a não publicar um livro.
B) o principal objetivo do entrevistado é explicar o significado da palavra motivação.
C) são utilizados diversos recursos da linguagem literária, tais como a metáfora e a metonímia.
D) o entrevistado deseja informar de modo objetivo o jornalista sobre as etapas de produção de um livro.
E) o principal objetivo do entrevistado é evidenciar seu sentimento com relação ao processo de produção de um livro.

D.A. RESOLVE

A comunicação do escritor entrevistado demonstra seu enfado ao escrever um livro pelas suas etapas de criação e revisão e num comentário irônico expressa sua falta de motivação para continuar escrevendo, chegando à exaustão, ao ser questionado sobre sua motivação para escrevê-lo.

Alternativa E.

Questão 101 - Quanto às variantes linguísticas presentes no texto, a norma padrão da língua portuguesa é rigorosamente obedecida por meio

A) do emprego do pronome demonstrativo “esse” em “Por que o senhor publicou esse livro?”.
B) do emprego do pronome pessoal oblíquo em “Meu filho, um escritor publica um livro para parar de escrevê-lo!”.
C) do emprego do pronome possessivo “sua” em “Qual foi sua maior motivação?”.
D) do emprego do vocativo “Meu filho”, que confere à fala distanciamento do interlocutor.
E) da necessária repetição do conectivo no último quadrinho.

D.A. RESOLVE - embora a questão tenha sido anulada...


A alternativa B) está correta, por apresentar o pronome pessoal do caso oblíquo - LO -, ligado ao verbo escrever, representa a palavra livro e funciona como objeto direto, ou seja, escrever o que? R.: o livro, daí LO. Para receber tal pronome, o verbo perde a letra R e recebe um acento gráfico circunflexo, por ser classificado como palavra oxítona, terminada por E e ter som fechado. Trata-se de ênclise, emprego do pronome, após o verbo e a ele ligado por hífen. Tal emprego constitui emprego de norma padrão da língua portuguesa, obedecida rigorosamente. Ao mesmo tempo, e, na mesma comunicação, o entrevistado usou a comunicação informal "meu filho".

A alternativa E), também está correta, pelo emprego repetitivo do conectivo E, constituindo uma figura de lingagem, chamada polissídeto, muito comum na comunicação coloquial, a fala do dia a dia. O polissíndeto aparece, também, na linguagem escrita, sendo permitida e constitui a figura de linguagem, em que POLI = muitos e SÍNDETO = conectivo ou conjunção, é o emprego do mesmo conectivo escrito muitas vezes. O entrevistado manteve, dessa forma também, a informalidade de comunicação. Na verdade não se trata de algo, extremamente, necessário como a alternativa apresentou e sim uma forma de comunicação até para mostrar a série de etapas, de passos a serem tomados para que a criação esteja perfeita, dentro de conformidade estabelecida, em linguagem clara, objetiva e sem enganos gramaticais. Chega até a ser um cacoete de comunicação, como outros: aí...aí...aí...aí... e  né... né... né...né.
Para evitar dúvidas...

Alternativa Oficial foi ANULADA.


Questão 102 - Gênero dramático é aquele em que o artista usa como intermediária entre si e o público a representação. A palavra vem do grego drao (fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois, uma composição literária destinada à apresentação por atores em um palco, atuando e dialogando entre si. O texto dramático é complementado pela atuação dos atores no espetáculo teatral e possui uma estrutura específica, caracterizada: 1) pela presença de personagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e à ação; 2) pela ação dramática (trama, enredo), que é o conjunto de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das personagens encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho; 3) pela situação ou ambiente, que é o conjunto de circunstâncias físicas, sociais, espirituais em que se situa a ação; 4) pelo tema, ou seja, a ideia que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpretação real por meio da representação.

COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973 (adaptado).

Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo teatral, conclui-se que

A) a criação do espetáculo teatral apresenta-se como um fenômeno de ordem individual, pois não é possível sua concepção de forma coletiva.
B) o cenário onde se desenrola a ação cênica é concebido e construído pelo cenógrafo de modo autônomo e independente do tema da peça e do trabalho interpretativo dos atores.
C) o texto cênico pode originar-se dos mais variados gêneros textuais, como contos, lendas, romances,
poesias, crônicas, notícias, imagens e fragmentos textuais, entre outros.
D) o corpo do ator na cena tem pouca importância na comunicação teatral, visto que o mais importante é a expressão verbal, base da comunicação cênica em toda a trajetória do teatro até os dias atuais.
E) a iluminação e o som de um espetáculo cênico independem do processo de produção/recepção do espetáculo teatral, já que se trata de linguagens artísticas diferentes, agregadas posteriormente à cena teatral.

D.A RESOLVE


A busca informativa de elementos para compor o texto dramático depende muito da criatividade do dramaturgo à sua inspiração, que pode buscá-la nos mais variados gêneros existentes: contos, romances, lendas, poesias e mesmo excertos textuais. A escolha estará para o que ele pretende resultar ao público assistente. O impacto que provocará. A concentração das pessoas ao enredo e à trajetória cênica empreendida, até atingir o clímax e o desfecho.
Tal imaginação possibilitará a construção textual associada à toda essa dinâmica. A vida dramática só terá força e resultância com o envolvimento de todos os personagens, vivenciando seus papéis, seja pelo conteúdo, pelas encenações com envolvimento, emoção crescente, expressões corporais demonstradas e revigoradas a todo momento e dedicação cênica de todos os integrantes. O cenário deverá estar, intimamente, relacionado à época e a todas condições sociais, ambientais e espaciais. Som e iluminação devem ser, cuidadosamente, planejados e trabalhados durante o espetáculo, pois interferem e direcionam o público ao fechamento climático da dramaturgia.

Alternativa C.

Questão 103 - Saúde, no modelo atual de qualidade de vida, é o resultado das condições de alimentação, habitação, educação, renda, trabalho, transporte, lazer, serviços médicos e acesso à atividade física regular. Quanto ao acesso à atividade física, um dos elementos essenciais é a aptidão física, entendida como a capacidade de a pessoa utilizar seu corpo — incluindo músculos, esqueleto, coração, enfim, todas as partes —, de forma eficiente em suas atividades cotidianas; logo, quando se avalia a saúde de uma pessoa, a aptidão física deve ser levada em conta. A partir desse contexto, considera-se que uma pessoa tem boa aptidão física quando

A)  apresenta uma postura regular.
B) pode se exercitar por períodos curtos de tempo.
C) pode desenvolver as atividades físicas do dia-a-dia, independentemente de sua idade.
D) pode executar suas atividades do dia a dia com vigor, atenção e uma fadiga de moderada a intensa.
E) pode exercer atividades físicas no final do dia, mas suas reservas de energia são insuficientes para atividades intelectuais.

Alternativa Oficial C. (Em breve, o comentário será feito pelo Professor de Biologia.)

Questão 104 - Diferentemente do texto escrito, que em geral compele os leitores a lerem numa onda linear – da esquerda para a direita e de cima para baixo, na página impressa – hipertextos encorajam os leitores a moverem-se de um bloco de texto a outro, rapidamente e não sequencialmente. Considerando que o hipertexto oferece uma multiplicidade de caminhos a seguir, podendo ainda o leitor incorporar seus caminhos e suas decisões como novos caminhos, inserindo informações novas, o leitor-navegador passa a ter um papel mais ativo e uma oportunidade diferente da de um leitor de texto impresso. Dificilmente, dois leitores de hipertextos farão os mesmos caminhos e tomarão as mesmas decisões.

MARCUSCHI, L. A. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio: Lucerna, 2007.

No que diz respeito à relação entre o hipertexto e o conhecimento por ele produzido, o texto apresentado deixa claro que o hipertexto muda a noção tradicional de autoria, porque

A) é o leitor que constrói a versão final do texto.
B) o autor detém o controle absoluto do que escreve.
C) aclara os limites entre o leitor e o autor.
D) propicia um evento textual-interativo em que apenas o autor é ativo.
E) só o autor conhece o que eletronicamente se dispõe para o leitor.

D.A. RESOLVE


Os hipertextos favorecem seus leitores a interagirem  de um bloco de texto a outro, rapidamente, sem a necessidade de obedecer à sequência estabelecida pelo texto escrito, com sua forma tradicional de estar, pois possibilita ao leitor uma multiplicidade de caminhos a seguir, permitindo-lhe incorporar seus caminhos e suas decisões como novos caminhos, inserindo informações novas. Este novo leitor, navegador, passa a ter um papel mais ativo, decisivo e determinador quanto à dinâmica oferecida pelo hipertexto como pela atratividade que oferece e que cria uma oportunidade diferente da oferecida ao leitor de texto impresso. Torna-se impossível dois leitores de hipertextos fazerem os mesmos caminhos, tomar as mesmas decisões e estabelecer as mesmas finalizações.

Alternativa A.

Questão 105 

La Vie en Rose


ITURRUSGARAI, A. La Vie en Rose. Folha de S.Paulo, 11 ago. 2007.

Os quadrinhos exemplificam que as Histórias em Quadrinhos constituem um gênero textual

A) em que a imagem pouco contribui para facilitar a interpretação da mensagem contida no texto, como pode ser constatado no primeiro quadrinho.
B) cuja linguagem se caracteriza por ser rápida e clara, que facilita a compreensão, como se percebe na fala do segundo quadrinho: “ (com códigos de programação de Computador) "
C) em que o uso de letras com espessuras diversas está ligado a sentimentos expressos pelos personagens, como pode ser percebido no último quadrinho.
D) que possui em seu texto escrito características próximas a uma conversação face a face, como pode ser percebido no segundo quadrinho.
E) que a localização casual dos balões nos quadrinhos expressa com clareza a sucessão cronológica da história, como pode ser percebido no segundo quadrinho.

D.A. RESOLVE


A partir do quadrinho 2, um dos participantes do diálogo, e como lhe é próprio por ser o HTML, expressa-se em código específico, que pode ter sido ou não entendido pelos outros dois comunicantes.
As Histórias em Quadrinhos constituem um gênero textual, de bastante interesse pelo público em geral, que ao apresentar, nos balões, os pequenos textos de comunicação com características naturais de um diálogo direto entre os comunicadores, frente a frente, encerram uma mensagem bem expressiva e completa, como é percebida nos quadrinhos 2 e 3. No caso dos quadrinhos apresentados, nesta questão, resta uma dúvida, se a comunicação ficou entendida pelos dois outros integrantes ou não.

Alternativa D.

Questão 106 - A partir da metade do século XX, ocorreu um conjunto de transformações econômicas e sociais cuja dimensão é difícil de ser mensurada: a chamada explosão da informação. Embora essa expressão tenha surgido no contexto da informação científica e tecnológica, seu significado, hoje, em um contexto mais geral, atinge proporções gigantescas. Por estabelecerem novas formas de pensamento e mesmo de lógica, a informática e a Internet vêm gerando impactos sociais e culturais importantes. A disseminação do microcomputador e a expansão da Internet vêm acelerando o processo de globalização tanto no sentido do mercado quanto no sentido das trocas simbólicas possíveis entre sociedades e culturas diferentes, o que tem provocado e acelerado o fenômeno de hibridização amplamente caracterizado como próprio da pósmodernidade.

FERNANDES, M. F.; PARÁ, T. A contribuição das novas tecnologias da informação na geração de conhecimento. Disponível em: http://www.coep.ufrj.br. Acesso em: 11 ago. 2009 (adaptado).

Considerando-se o novo contexto social e econômico aludido no texto apresentado, as novas tecnologias de informação e comunicação

A) desempenham importante papel, porque sem elas não seria possível registrar os acontecimentos históricos.
B) facilitam os processos educacionais para ensino de tecnologia, mas não exercem influência nas ciências humanas.
C) limitam-se a dar suporte aos meios de comunicação, facilitando sobretudo os trabalhos jornalísticos.
D) contribuem para o desenvolvimento social, pois permitem o registro e a disseminação do  conhecimento de forma mais democrática e interativa.
E) estão em estágio experimental, particularmente na educação, área em que ainda não demonstraram potencial produtivo.

D.A. RESOLVE


A chamada explosão da informação, empreendida a partir do século XX, com a evolução da informática e, em especial da Internet, tem propiciado impactos sociais e culturais importantes. A contínua propagação do microcomputador, pela apresentação diária de novos modelos e arrojadas tecnologias e a expansão da Internet, recurso imprescindível à comunicação moderna, vêm acelerando o processo de globalização para um Mercado, cada vez mais exigente, bem como pela troca imediata de informações entre sociedades e culturas diferentes, através de uma interatividade, cada vez mais, necessária.

Alternativa  D.


Textos para as questões 107 e 108

Texto I

É praticamente impossível imaginarmos nossas vidas sem o plástico. Ele está presente em embalagens de alimentos, bebidas e remédios, além de eletrodomésticos, automóveis etc. Esse uso ocorre devido à sua atoxicidade e à inércia, isto é: quando em contato com outras substâncias, o plástico não as contamina; ao contrário, protege o produto embalado. Outras duas grandes vantagens garantem o uso dos plásticos em larga escala: são leves, quase não alteram o peso do material embalado, e são 100% recicláveis, fato que, infelizmente, não é aproveitado, visto que, em todo o mundo, a percentagem de plástico reciclado, quando comparado ao total produzido, ainda é irrelevante.

Revista Mãe Terra. Minuano, ano I, n. 6 (adaptado).

Texto II

Sacolas plásticas são leves e voam ao vento. Por isso, elas entopem esgotos e bueiros, causando  enchentes. São encontradas até no estômago de tartarugas marinhas, baleias, focas e golfinhos, mortos por sufocamento. Sacolas plásticas descartáveis são gratuitas para os consumidores, mas têm um custo incalculável para o meio ambiente.

Veja, 8 jul. 2009. Fragmentos de texto publicitário do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.

Questão 107 - Em contraste com o texto I, no texto II são empregadas, predominantemente, estratégias argumentativas que

A) atraem o leitor por meio de previsões para o futuro.
B) apelam à emoção do leitor, mencionando a morte de animais.
C) orientam o leitor a respeito dos modos de usar conscientemente as sacolas plásticas.
D) intimidam o leitor com as nocivas consequências do uso indiscriminado de sacolas plásticas.
E) recorrem à informação, por meio de constatações, para convencer o leitor a evitar o uso de sacolas plásticas.

D.A. RESOLVE


O texto II faz uma advertência à população pela falta de consciência com o uso e o descarte de sacos plásticos causando inúmeros danos ao meio-ambiente.
Muitas empresas comerciais (supermercados, por exemplo) têm estimulado seus clientes a utilizarem suas sacolas e mesmo caixas de papelão, descartadas, para transportarem suas compras, dando-lhes pontos e créditos para, em determinados tempos, trocarem por mercadorias.
Entretanto, a maioria da população não tem ficado atenta à essa atitude, pelo propósito de acreditar que só tem direitos e nenhum dever de preservar o meio-ambiente e insiste pelos sacos plásticos para serem utilizados como recipientes descartáveis para lixo. O que se constata é a morte de muitos animais marinhos, a sujeira dos bairros e cidades e diversos problemas, tais como: entupimentos de bueiros e de tubulações de esgoto, causando enchentes.

Alternativa  E.

Questão 108 - Na comparação dos textos, observa-se que

A) o texto I apresenta um alerta a respeito do efeito da reciclagem de materiais plásticos; o texto II justifica o uso desse material reciclado.
B) o texto I tem como objetivo precípuo apresentar a versatilidade e as vantagens do uso do plástico na contemporaneidade; o texto II objetiva alertar os consumidores sobre os problemas ambientais decorrentes de embalagens plásticas não recicladas.
C) o texto I expõe vantagens, sem qualquer ressalva, do uso do plástico; o texto II busca convencer o leitor a evitar o uso de embalagens plásticas.
D) o texto I ilustra o posicionamento de fabricantes de embalagens plásticas, mostrando por que elas devem ser usadas; o texto II ilustra o posicionamento de consumidores comuns, que buscam praticidade e conforto.
E) o texto I apresenta um alerta a respeito da possibilidade de contaminação de produtos orgânicos e industrializados decorrente do uso de plástico em suas embalagens; o texto II apresenta vantagens do  consumo de sacolas plásticas: leves, descartáveis gratuitas.

D.A. RESOLVE


O texto I reconhece a importância do surgimento, do uso e das vantagens oferecidas pelo plástico, especialmente, em nossos dias, como recurso de acondicionamento e de revestimento, pelas empresas, pela população e por profissionais, enquanto que o texto II alerta a população sobre o uso indevido e indiscriminado de embalagens plásticas não-recicladas.


Alternativa B .

Questão 109 -

BROWNE, C. Hagar, o horrível. Jornal O GLOBO, Segundo Caderno. 20 fev. 2009.

A linguagem da tirinha revela

A) o uso de expressões linguísticas e vocabulário próprios de épocas antigas.
B) o uso de expressões linguísticas inseridas no registro mais formal da língua.
C) o caráter coloquial expresso pelo uso do tempo verbal no segundo quadrinho.
D) o uso de um vocabulário específico para situações comunicativas de emergência.
E) a intenção comunicativa dos personagens: a de estabelecer a hierarquia entre eles.

D.A. RESOLVE


A linguagem apresentada, na tirinha acima, revela uma comunicação coloquial (a comunicação do dia-a-dia, em sua informalidade) manifestada pela locução verbal - tinha consertado -, com o verbo auxiliar, tinha, empregado  no pretérito imperfeito do Indicativo, no segundo quadrinho, enquanto que, em registro formal, o emprego seria no pretérito imperfeito do Subjuntivo - tivesse consertado. O modo Subjuntivo apresenta uma situação caracterizada por hipótese, por dúvida, dependendo da vontade de quem quiser fazer.

Alternativa C.

Questão 110 - O "Portal Domínio Público", lançado em novembro de 2004, propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime e gratuita, colocando à disposição de todos os usuários da Internet, uma biblioteca virtual que deverá constituir referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral. Esse portal constitui um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada.

BRASIL. Ministério da Educação. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br . Acesso em: 29 jul. 2009 (adaptado).

Considerando a função social das informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, o ambiente virtual descrito no texto exemplifica

A) a dependência das escolas públicas quanto ao uso de sistemas de informação.
B) a ampliação do grau de interação entre as pessoas, a partir de tecnologia convencional.
C) a democratização da informação, por meio da disponibilização de conteúdo cultural e científico à sociedade.
D) a comercialização do acesso a diversas produções culturais nacionais e estrangeiras via tecnologia da informação e da comunicação.
E) a produção de repertório cultural direcionado a acadêmicos e educadores.

D.A. RESOLVE


O Portal disponibiliza recursos fundamentais a estudantes e a pessoas interessadas por ampliar seus conhecimentos, pela Internet, possibilitando o compartilhamento de informações e aprendizados de forma equânime e gratuita, disponibilizados aos usuários, sob forma de biblioteca virtual, seja para professores, alunos, pesquisadores, seja para a população em geral, permitindo a coleta, a integração, a preservação e  a    disseminação exclusiva de conhecimentos. Sua principal  intenção é  promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de vídeos, sons, imagens e textos), já em domínio público ou que tenham autorização de divulgá-las.

Alternativa C.

Questão 111

Cuitelinho

Cheguei na bera do porto
Onde as onda se espaia.
As garça dá meia volta,
Senta na bera da praia.
E o cuitelinho não gosta
Que o botão da rosa caia.

Quando eu vim da minha terra,
Despedi da parentaia.
Eu entrei em Mato Grosso,
Dei em terras paraguaia.
Lá tinha revolução,
Enfrentei fortes bataia.

A tua saudade corta
Como o aço de navaia.
O coração fica aflito,
Bate uma e outra faia.
E os oio se enche d´água
Que até a vista se atrapaia.

Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó. BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004.

Transmitida por gerações, a canção Cuitelinho manifesta aspectos culturais de um povo, nos quais se inclui sua forma de falar, além de registrar um momento histórico. Depreende-se disso que a importância em preservar a produção cultural de uma nação consiste no fato de que produções como a canção Cuitelinho evidenciam a

A) recriação da realidade brasileira de forma ficcional.
B) criação neológica na língua portuguesa.
C) formação da identidade nacional por meio da tradição oral.
D) incorreção da língua portuguesa que é falada por pessoas do interior do Brasil.
E) padronização de palavras que variam regionalmente, mas possuem mesmo significado.

D.A. RESOLVE


Por demonstrações musicais, como em Cuitelinho, preservam-se fatos e tradições, as referências culturais, regionais, costumes, folclore, a história, os registros de época, e a identidade nacional, manifestadas, também,  por "causos",  "cançonetas" e outros tantos registros populares e orais, que passam de gerações a gerações para permanentizarem-se.

Alternativa C.

Questão 112


ECKHOUT, A. “Índio Tapuia” (1610-1666). Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br . Acesso em: 9 jul. 2009.

A feição deles é serem pardos, maneira d’avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir, nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto.

CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br . Acesso em: 12 ago. 2009.

Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e o trecho do texto de Caminha, conclui-se que

A) ambos se identificam pelas características estéticas marcantes, como tristeza e melancolia, do movimento romântico das artes plásticas.
B) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto, representando-o de maneira realista, ao passo que o texto é apenas fantasioso.
C) a pintura e o texto têm uma característica em comum, que é representar o habitante das terras que sofreriam processo colonizador.
D) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a cultura europeia e a cultura indígena.
E) há forte direcionamento religioso no texto e na pintura, uma vez que o índio representado é objeto da catequização jesuítica.

D. A. RESOLVE

Texto e pintura procuram, em harmonia, registrar características e "modus vivendi" do habitante original da terra, que, rápida e certamente, sofreria todas as submissões colonizadoras que o descaracterizaria e imporia condições europeias de sobrevida, além de escravagismo.

Alternativa   C.

Questão 113 - As tecnologias de informação e comunicação (TIC) vieram aprimorar ou substituir meios tradicionais de comunicação e armazenamento de informações, tais como o rádio e a TV analógicos, os livros, os telégrafos, o fax etc. As novas bases tecnológicas são mais poderosas e versáteis, introduziram fortemente a possibilidade de comunicação interativa e estão presentes em todos os meios produtivos da atualidade. As novas TIC vieram acompanhadas da chamada Digital Divide, Digital Gap ou Digital Exclusion, traduzidas para o português como Divisão Digital ou Exclusão Digital, sendo, às vezes, também usados os termos Brecha Digital ou Abismo Digital. Nesse contexto, a expressão Divisão Digital refere-se a

A) uma classificação que caracteriza cada uma das áreas nas quais as novas TIC podem ser aplicadas, relacionando os padrões de utilização e exemplificando o uso dessas TIC no mundo moderno.
B) uma relação das áreas ou subáreas de conhecimento que ainda não foram contempladas com o uso das  novas tecnologias digitais, o que caracteriza uma brecha tecnológica que precisa ser minimizada.
C) uma enorme diferença de desempenho entre os empreendimentos que utilizam as tecnologias digitais e aqueles que permaneceram usando métodos e técnicas analógicas.
D) um aprofundamento das diferenças sociais já existentes, uma vez que se torna difícil a aquisição de  conhecimentos e habilidades fundamentais pelas populações menos favorecidas nos novos meios produtivos.
E) uma proposta de educação para o uso de novas pedagogias com a finalidade de acompanhar a evolução das mídias e orientar a produção de material pedagógico com apoio de computadores e outras técnicas digitais.

D.A. RESOLVE

Avanços tecnológicos propiciam condições discriminatórias momentâneas ou até mesmo duradouras, pela condição equitativa de uso por todas as camadas sociais da população, desfavorecidas pelo custo e falta de acessibilidade de muitos novos recursos em contraste a poucas, dotadas de poder econômico que os adquire e beneficiam-se, desde seus lançamentos.

Alternativa  D.

Questão 114

Você sabia que as metrópoles são as grandes consumidoras dos produtos feitos com recursos naturais da Amazônia? Você pode diminuir os impactos à floresta adquirindo produtos com selos de certificação. Eles são encontrados em itens que vão desde lápis e embalagens de papelão até móveis, cosméticos e materiais de construção. Para receber os selos esses produtos devem ser fabricados sob 10 princípios éticos, entre eles o respeito à legislação ambiental e aos direitos de povos indígenas e populações que vivem em nossas matas nativas.

Vida simples. Ed. 74, dez. 2008.

O texto e a imagem têm por finalidade induzir o leitor a uma mudança de comportamento a partir do(a)

A) consumo de produtos naturais provindos da Amazônia.
B) cuidado na hora de comprar produtos alimentícios.
C) verificação da existência do selo de padronização de produtos industriais.
D) certificação de que o produto foi fabricado de acordo com os princípios éticos.
E) verificação da garantia de tratamento dos recursos naturais utilizados em cada produto.

D.A. RESOLVE


Além de todas as especificações contidas nos produtos, em geral, existem as necessárias e fundamentais especificações para os produtos industrializados, provenientes de nossas riquezas naturais, dentre eles, os da Amazônia que, para evitarem-se danos causados pelos impactos à floresta, devem ser adquiridos, apenas, os produtos com selos de certificação e, somente, os fabricados sob 10 princípios éticos, entre eles o respeito à legislação ambiental e aos direitos de povos indígenas e populações que vivem em nossas matas nativas.

Alternativa  D.

Questão 115 - A dança é importante para o índio preparar o corpo e a garganta e significa energia para o corpo, que fica robusto. Na aldeia, para preparo físico, dançamos desde cinco horas da manhã até seis horas da tarde, passa-se o dia inteiro dançando quando os padrinhos planejam a dança dos adolescentes. O padrinho é como um professor, um preparador físico dos adolescentes. Por exemplo, o padrinho sonha com um determinado canto e planeja para todos entoarem. Todos os tipos de dança vêm dos primeiros xavantes: Wamarĩdzadadzeiwawẽ, Butséwawẽ, Tseretomodzatsewawẽ, que foram descobrindo através da sabedoria como iria ser a cultura Xavante. Até hoje existe essa cultura, essa celebração. Quando o adolescente fura a orelha é obrigatório ele dançar toda a noite, tem de acordar meia-noite para dançar e cantar, é obrigatório, eles vão chamando um ao outro com um grito especial.

WÉRÉ' É TSI'RÓBÓ, E. A dança e o canto-celebração da existência xavante. VIS-Revista do Programa de Pós-Graduação em Arte da UnB. V. 5, n. 2, dez. 2006.

A) partir das informações sobre a dança Xavante, conclui-se que o valor da diversidade artística e da tradição cultural apresentados originam-se da iniciativa individual do indígena para a prática da dança e do canto.
B) excelente forma física apresentada pelo povo Xavante.
C) multiculturalidade presente na sua manifestação cênica.
D) inexistência de um planejamento da estética da dança, caracterizada pelo ineditismo.
E) preservação de uma identidade entre a gestualidade ancestral e a novidade dos cantos a serem entoados.

D.A. RESOLVE


O índio dá muita importância à dança para acrescentar-lhe energia e para preparar-lhe o corpo, tornando-o mais saudável e fortalecido. O canto propicia um entrosamento à dança e fortalece-lhe a garganta. Tais manifestações são praticadas, diariamente, pelos índios.
Antecedendo as cerimônias, os treinos de dança e canto intensificam-se, chegando a acontecer o dia inteiro e, em muitas delas, percorrem a madrugada.
Tais costumes mantêm as tradições e preservam suas identidades tribais, bem como, por interesse de ampliação, criam novas danças e cantos, para tornarem mais ricas suas tradições e culturas.
Seria interessante que as pessoas urbanas buscassem a dança e o canto para possibilitarem-lhes maior qualidade de vida e, especialmente, vencerem-lhes o estresse.

Alternativa E.

Texto para as questões 116 e 117

Canção do vento e da minha vida

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
   E a minha vida ficava
   Cada vez mais cheia
   De frutos, de flores, de folhas.
[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
   E a minha vida ficava
   Cada vez mais cheia
   De afetos e de mulheres.

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
   E a minha vida ficava
   Cada vez mais cheia
   De tudo.

BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

Questão 116 - Predomina no texto a função da linguagem

A) fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
B) metalinguística, porque há explicação do significado das expressões.
C) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação.
D) referencial, já que são apresentadas informações sobre acontecimentos e fatos reais.
E) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da estrutura do texto.

D.A. RESOLVE


A poesia de Manuel Bandeira procura apresentar uma mensagem histórica de sua vida, destacando-a com imagens sugestivas, registando as ações do vento e suas varreduras e os benefícios que o poeta recebia, absorvendo todos os elementos "varridos" para dentro de si, com as melhores contribuições que tais elementos pudessem proporcionar-lhe.
A intenção poética é de expressar e enfatizar uma mensagem e o uso de palavras bem escolhidas, criando até a sensação provocada pelo frescor do vento e mesmo por sua sonoridade : o vento varria, pois na pronúncia das palavras citadas e mesmo de outras na poesia, percebe-se o som que elas provocam e sua associação com o som propiciado pelo movimento do vento, constituindo a figura de linguagem aliteração.


Alternativa E.

Questão 117 - Na estruturação do texto, destaca-se

A) a construção de oposições semânticas.
B) a apresentação de ideias de forma objetiva.
C) o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o eufemismo.
D) a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes.
E) a inversão da ordem sintática das palavras.

D.A. RESOLVE


O poeta Manuel Bandeira teve o cuidado de escolher palavras para registrar efeitos sonoros e despertar no leitor, ao pronunciá-las, a imaginação de estar sendo envolvido pelo som e pelo movimento do vento. Outro cuidado foi o de dar leveza à poesia, através de versos com estruturas sintáticas muito idênticas: sujeito, predicado, composto por verbo e objeto direto, mantidas nos três primeiros versos de cada estrofe, por exemplo, sem falar da presença constante de adjuntos adverbiais e complementos nominais, em todas as estrofes, também.

Alternativa  D.

Questão 118 - Teatro do Oprimido é um método teatral que sistematiza exercícios, jogos e técnicas teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, recentemente falecido, que visa à desmecanização física e intelectual de seus praticantes. Partindo do princípio de que a linguagem teatral não deve ser diferenciada da que é usada cotidianamente pelo cidadão comum (oprimido), ele propõe condições práticas para que o oprimido se aproprie dos meios do fazer teatral e, assim, amplie suas possibilidades de expressão. Nesse sentido, todos podem desenvolver essa linguagem e, consequentemente, fazer teatro. Trata-se de um teatro em que o espectador é convidado a substituir o protagonista e mudar a condução ou mesmo o fim da história, conforme o olhar interpretativo e contextualizado do receptor.

Companhia Teatro do Oprimido. Disponível em: www.ctorio.org.br . Acesso em: 1 jul. 2009 (adaptado).

Considerando-se as características do Teatro do Oprimido apresentadas, conclui-se que

A)  esse modelo teatral é um método tradicional de fazer teatro que usa, nas suas ações cênicas, a linguagem  rebuscada e hermética falada normalmente pelo cidadão comum.
B) a forma de recepção desse modelo teatral se destaca pela separação entre atores e público, na qual os atores representam seus personagens e a plateia assiste passivamente ao espetáculo.
C) sua linguagem teatral pode ser democratizada e apropriada pelo cidadão comum, no sentido de proporcionar-lhe autonomia crítica para compreensão e interpretação do mundo em que vive.
D) o convite ao espectador para substituir o protagonista e mudar o fim da história evidencia que a proposta de Boal se aproxima das regras do teatro tradicional para a preparação de atores.
E) a metodologia teatral do Teatro do Oprimido segue a concepção do teatro clássico aristotélico, que visa à desautomação física e intelectual de seus praticantes.

D.A. RESOLVE


Nas peças de Augusto Boal, a linguagem teatral não deve ser diferenciada da linguagem usada pelo cidadão, apelidado de oprimido, pelas próprias condições da sobrevida urbana. O público presente surpreende-se ao ser convidado a participar das cenas, até mesmo a conduzi-las e dar um desfecho à peça. Evidente que as pessoas presentes na plateia, interagindo sem perder-lhe o foco, auxiliam na condução das cenas e do episódio como um todo, tornando a linguagem teatral democratizada, aproximada e vivificada pelo cidadão comum, que tem grande experiência para interpretar o mundo em que vive.

Alternativa C.

Questão 119 -

Texto I

O professor deve ser um guia seguro, muito senhor de sua língua; se outra for a orientação, vamos cair na “língua brasileira”, refúgio nefasto e confissão nojenta de ignorância do idioma pátrio, recurso vergonhoso de homens de cultura falsa e de falso patriotismo. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que exprime e representa o idioma pátrio?

ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa. Prefácio. São Paulo: Saraiva, 1999 (adaptado).

Texto II

Alguns leitores poderão achar que a linguagem desta Gramática se afasta do padrão estrito usual neste tipo de livro. Assim, o autor escreve tenho que reformular, e não tenho de reformular; pode-se colocar dois constituintes, e não podem-se colocar dois constituintes; e assim por diante. Isso foi feito de caso pensado, com a preocupação de aproximar a linguagem da gramática do padrão atual brasileiro presente nos textos técnicos e jornalísticos de nossa época.

REIS, N. Nota do editor. PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. São Paulo: Ática, 1996.

Confrontando-se as opiniões defendidas nos dois textos, conclui-se que

A) ambos os textos tratam da questão do uso da língua com o objetivo de criticar a linguagem do brasileiro.
B) os dois textos defendem a ideia de que o estudo da gramática deve ter o objetivo de ensinar as regras prescritivas da língua.
C) a questão do português falado no Brasil é abordada nos dois textos, que procuram justificar como é correto e aceitável o uso coloquial do idioma.
D) o primeiro texto enaltece o padrão estrito da língua, ao passo que o segundo defende que a linguagem  jornalística deve criar suas próprias regras gramaticais.
E) o primeiro texto prega a rigidez gramatical no uso da língua, enquanto o segundo defende uma adequação da língua escrita ao padrão atual brasileiro.

Alternativa Oficial E.

Questão 120 - No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes  dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais.

CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.

Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que

A) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia.
B) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.
C) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista
dos menos favorecidos.
D) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo.
E) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.

Alternativa Oficial C.
Texto para as questões 121 e 122

Quando eu falo com vocês, procuro usar o código de vocês. A figura do índio no Brasil de hoje não pode ser aquela de 500 anos atrás, do passado, que representa aquele primeiro contato. Da mesma forma que o Brasil de hoje não é o Brasil de ontem, tem 160 milhões de pessoas  com diferentes sobrenomes. Vieram para cá asiáticos,europeus, africanos, e todo mundo quer ser brasileiro. A importante pergunta que nós fazemos é: qual é o pedaço de índio que vocês têm? O seu cabelo? São seus olhos? Ou é o nome da sua rua? O nome da sua praça? Enfim, vocês devem ter um pedaço de índio dentro de vocês. Para nós, o importante é que vocês olhem para a gente como seres humanos, como pessoas que nem precisam de paternalismos, nem precisam ser tratadas com privilégios. Nós não queremos tomar o Brasil de vocês, nós queremos compartilhar esse Brasil com vocês.

TERENA, M. Debate. MORIN, E. Saberes globais e saberes locais. Rio de Janeiro: Garamond, 2000 (adaptado).

Questão 121 - Os procedimentos argumentativos utilizados no texto permitem inferir que o ouvinte/leitor, no qual o emissor foca o seu discurso, pertence

A) ao mesmo grupo social do falante/autor.
B) a um grupo de brasileiros considerados como não índios.
C) a um grupo étnico que representa a maioria europeia que vive no país.
D) a um grupo formado por estrangeiros que falam português.
E) a um grupo sociocultural formado por brasileiros naturalizados e imigrantes.

Alternativa Oficial B.

Questão 122 - Na situação de comunicação da qual o texto foi retirado, a norma padrão da língua portuguesa é empregada com a finalidade de

A)  demonstrar a clareza e a complexidade da nossa língua materna.
B) situar os dois lados da interlocução em posições simétricas.
C) comprovar a importância da correção gramatical nos diálogos cotidianos.
D) mostrar como as línguas indígenas foram incorporadas à língua portuguesa.
E) ressaltar a importância do código linguístico que adotamos como língua nacional.

Alternativa Oficial B.

Questão 123 -

Se os tubarões fossem homens

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos? Certamente, se os tubarões fossem homens, fariam construir resistentes gaiolas no mar para os peixes pequenos, com todo o tipo de alimento, tanto animal como vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adotariam todas as providências sanitárias. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nas aulas, os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia para localizar os grandes tubarões deitados preguiçosamente por aí. A aula principal seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. A eles seria ensinado que o ato mais grandioso e mais sublime é o sacrifício alegre de um peixinho e que todos deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando estes dissessem que cuidavam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos seria condecorado com uma pequena Ordem das Algas e receberia o título de herói.

BRECHT, B. Histórias do Sr. Keuner. São Paulo: Ed. 34, 2006 (adaptado).

Como produção humana, a literatura veicula valores que nem sempre estão representados diretamente no texto, mas são transfigurados pela linguagem literária e podem até entrar em contradição com as convenções sociais e revelar o quanto a sociedade perverteu os valores  humanos que ela própria criou. É o que ocorre na narrativado dramaturgo alemão Bertolt Brecht mostrada. Por meio da hipótese apresentada, o autor

A) demonstra o quanto a literatura pode ser alienadora ao retratar, de modo positivo, as relações de opressão existentes na sociedade.
B) revela a ação predatória do homem no mar, questionando a utilização dos recursos naturais pelo homem ocidental.
C) defende que a força colonizadora e civilizatória do homem ocidental valorizou a organização das sociedades africanas e asiáticas, elevando-as ao modo de organização cultural e social da sociedade moderna.
D) questiona o modo de organização das sociedades ocidentais capitalistas, que se desenvolveram  fundamentadas nas relações de opressão em que os mais fortes exploram os mais fracos.
E) evidencia a dinâmica social do trabalho coletivo em que os mais fortes colaboram com os mais fracos, de modo a guiá-los na realização de tarefas.

Alternativa Oficial D.

Questão 124 - Oximoro, ou paradoxismo, é uma figura de retórica em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão.

Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa.

Considerando a definição apresentada, o fragmento poético da obra Cantares, de Hilda Hilst, publicada em 2004, em que pode ser encontrada a referida figura de retórica é:

A) “Dos dois contemplo
       rigor e fixidez.
       Passado e sentimento
       me contemplam” (p. 91).
B)  “De sol e lua
       De fogo e vento
       Te enlaço” (p. 101).
C) “Areia, vou sorvendo
      A água do teu rio” (p. 93).
D) “Ritualiza a matança
      de quem só te deu vida.
      E me deixa viver
      nessa que morre” (p. 62).
E)  “O bisturi e o verso.
      Dois instrumentos
      entre as minhas mãos” (p. 95).

Alternativa Oficial D.

Questão 125 -


Veja, 7 maio 1997.

Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à mão que aborda a questão das atividades linguísticas e sua relação com as modalidades oral e escrita da língua. Esse comentário deixa evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando ser necessário

A)  implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da língua .
B) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza na comunicação oral e escrita.
C) dominar as diferentes variedades do registro oral da língua portuguesa para escrever com adequação, eficiência e correção.
D) empregar vocabulário adequado e usar regras da norma padrão da língua em se tratando da modalidade escrita.
E) utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade padrão da língua para se expressar com alguma segurança e sucesso.

Alternativa Oficial D.
Texto para as questões 126 e 127



BRASIL. Ministério da Saúde. Revista Nordeste, João Pessoa, ano 3, n. 35, maio/jun. 2009.

Questão 126 - O texto exemplifica um gênero textual híbrido entre carta e publicidade oficial. Em seu conteúdo, é possível perceber aspectos relacionados a gêneros digitais. Considerando-se a função social das informações geradas nos sistemas de comunicação e informação presentes no texto, infere-se que

A) a utilização do termo download indica restrição de leitura de informações a respeito de formas de combate à dengue.
B) a diversidade dos sistemas de comunicação empregados e mencionados reduz a possibilidade de acesso às informações a respeito do combate à dengue.
C) a utilização do material disponibilizado para download no site http://www.combatadengue.com.br/  restringe-se ao receptor da publicidade.
D) a necessidade de atingir públicos distintos se revela por meio da estratégia de disponibilização de informações empregada pelo emissor.
E) a utilização desse gênero textual compreende, no próprio texto, o detalhamento de informações a respeito de formas de combate à dengue.

Alternativa Oficial D.

Questão 127 - Diante dos recursos argumentativos utilizados, depreende-se que o texto apresentado

A) se dirige aos líderes comunitários para tomarem a iniciativa de combater a dengue.
B) conclama toda a população a participar das estratégias de combate ao mosquito da dengue.
C) se dirige aos prefeitos, conclamando-os a organizarem iniciativas de combate à dengue.
D) tem como objetivo ensinar os procedimentos técnicos necessários para o combate ao mosquito da dengue.
E) apela ao governo federal, para que dê apoio aos governos estaduais e municipais no combate ao mosquito da dengue.

Alternativa Oficial  C.

Questão 128

A partida


1           Acordei pela madrugada. A princípio com
        tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente
        dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução,
4      acendi um fósforo: passava das três. Restava-me,
        portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria
        às cinco. Veio-me então o desejo de não passar mais
7      nem uma hora naquela casa. Partir, sem dizer nada,
       deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de
       amor.
10        Com receio de fazer barulho, dirigi-me à
       cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei-me e,
       voltando ao meu quarto, vesti-me. Calcei os sapatos,
13   sentei-me um instante à beira da cama. Minha avó
       continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela?
       Ora, algumas palavras... Que me custava acordá-la,
16   dizer-lhe adeus?

LINS, O. A partida. Melhores contos. Seleção e prefácio de Sandra Nitrini. São Paulo: Global, 2003.

No texto, o personagem narrador, na iminência da partida, descreve a sua hesitação em separar-se da avó. Esse sentimento contraditório fica claramente expresso no trecho:

A) “A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir” (linhas 1-3).
B) “Restava-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco” (linhas 4-6).
C) “Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama” (linhas 12-13).
D) “Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e amor” (linhas 7-9).
E) “Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras...” (linhas 14-15).

Alternativa Oficial E.

Questão 129 - Serafim da Silva Neto defendia a tese da unidade da língua portuguesa no Brasil, entrevendo que no Brasil as delimitações dialetais espaciais não eram tão marcadas como as isoglossas (1) da România Antiga. Mas Paul Teyssier, na sua História da Língua Portuguesa, reconhece que na diversidade socioletal essa pretensa unidade se desfaz. Diz Teyssier: “A realidade, porém, é que as divisões ‘dialetais’ no Brasil são menos geográficas que socioculturais. As diferenças na maneira de falar são maiores, num  determinado lugar, entre um homem culto e o vizinho analfabeto que entre dois brasileiros do mesmo nível cultural originários de duas regiões distantes uma da outra.”

SILVA, R. V. M. O português brasileiro e o português europeu contemporâneo: alguns aspectos da diferença. Disponível em: www.uniroma.it. Acesso em: 23 jun. 2008.

(1)  isoglossa – linha imaginária que, em um mapa, une os pontos de ocorrência de traços e fenômenos linguísticos idênticos.

FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

De acordo com as informações presentes no texto, os pontos de vista de Serafim da Silva Neto e de Paul  Teyssier convergem em relação

A) à influência dos aspectos socioculturais nas diferenças dos falares entre indivíduos, pois ambos consideram que pessoas de mesmo nível sociocultural falam de forma semelhante.
B) à delimitação dialetal no Brasil assemelhar-se ao que ocorria na România Antiga, pois ambos consideram a variação linguística no Brasil como decorrente de aspectos geográficos.
C) à variação sociocultural entre brasileiros de diferentes regiões, pois ambos consideram o fator sociocultural de bastante peso na constituição das variedades linguísticas no Brasil.
D) à diversidade da língua portuguesa na România Antiga, que até hoje continua a existir, manifestando-se  nas variantes linguísticas do português atual no Brasil.
E) à existência de delimitações dialetais geográficas pouco marcadas no Brasil, embora cada um enfatize aspectos diferentes da questão.

Alternativa Oficial E.

Questão 130 - Nestes últimos anos, a situação mudou bastante e o Brasil, normalizado, já não nos parece tão mítico, no bem e no mal. Houve um mútuo reconhecimento entre os dois países de expressão portuguesa de um lado e do outro do Atlântico: o Brasil descobriu Portugal e Portugal, em um retorno das caravelas, voltou a descobrir o Brasil e a ser, por seu lado, colonizado por expressões linguísticas, as telenovelas, os romances, a poesia, a comida e as formas de tratamento brasileiros. O mesmo, embora em nível superficial, dele excluído o plano da língua, aconteceu com a Europa, que, depois da diáspora dos anos 70, depois da inserção na cultura da bossa-nova e da música popular brasileira, da problemática ecológica centrada na Amazônia, ou da problemática social emergente do fenômeno dos meninos de rua, e até do álibi ocultista dos romances de Paulo Coelho, continua todos os dias a descobrir, no bem e no mal, o novo Brasil. Se, no fim do século XIX, Sílvio Romero definia a literatura brasileira como manifestação de um país mestiço, será fácil para nós defini-la como expressão de um país polifônico: em que já não é determinante o eixo Rio-São Paulo, mas que, em cada região, desenvolve originalmente a sua unitária e particular tradição cultural. É esse, para nós, no início do século XXI, o novo estilo brasileiro.

STEGAGNO-PICCHIO, L. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004 (adaptado).

No texto, a autora mostra como o Brasil, ao longo de sua história, foi, aos poucos, construindo uma identidade cultural e literária relativamente autônoma frente à identidade europeia, em geral, e à portuguesa em particular. Sua análise pressupõe, de modo especial, o papel do patrimônio literário e linguístico, que favoreceu o surgimento daquilo que ela chama de “estilo brasileiro”. Diante desse pressuposto, e levando em consideração o texto e as diferentes etapas de consolidação da cultura brasileira, constata-se que

A) o Brasil redescobriu a cultura portuguesa no século XIX, o que o fez assimilar novos gêneros artísticos e culturais, assim como usos originais do idioma, conforme ilustra o caso do escritor Machado de Assis.
B) a Europa reconheceu a importância da língua portuguesa no mundo, a partir da projeção que poetas brasileiros ganharam naqueles países, a partir do século XX.
C) ocorre, no início do século XXI, promovido pela solidificação da cultura nacional, maior reconhecimento do Brasil por ele mesmo, tanto nos aspectos positivos quanto nos negativos.
D) o Brasil continua sendo, como no século XIX, uma nação culturalmente mestiça, embora a expressão dominante seja aquela produzida no eixo Rio-São  Paulo, em especial aquela ligada às telenovelas.
E) o novo estilo cultural brasileiro se caracteriza por uma união bastante significativa entre as diversas matrizes culturais advindas das várias regiões do país, como se pode comprovar na obra de Paulo Coelho.

Alternativa Oficial C.

Questão 131 - Compare os textos I e II a seguir, que tratam de aspectos ligados a variedades da língua portuguesa no mundo e no Brasil.

Texto I

Acompanhando os navegadores, colonizadores e comerciantes portugueses em todas as suas incríveis viagens, a partir do século XV, o português se transformou na língua de um império. Nesse processo, entrou em contato — forçado, o mais das vezes; amigável, em alguns casos — com as mais diversas línguas, passando por processos de variação e de mudança linguística. Assim, contar a história do português do Brasil é mergulhar na sua história colonial e de país independente, já que as línguas não são mecanismos desgarrados dos povos que as utilizam. Nesse cenário, são muitos os aspectos da estrutura linguística que não só expressam a diferença entre Portugal e Brasil como também definem, no Brasil, diferenças regionais e sociais.

PAGOTTO, E. P. Línguas do Brasil. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br . Acesso em: 5 jul. 2009 (adaptado).

Texto II

Barbarismo é vício que se comete na escritura de cada uma das partes da construção ou na pronunciação. E em nenhuma parte da Terra se comete mais essa figura da pronunciação que nestes reinos, por causa das muitas nações que trouxemos ao jugo do nosso serviço. Porque bem como os Gregos e Romanos haviam por bárbaras todas as outras nações estranhas a eles, por não poderem formar sua linguagem, assim nós podemos dizer que as nações de África, Guiné, Ásia, Brasil barbarizam quando querem imitar a nossa.

BARROS, J. Gramática da língua portuguesa. Porto: Porto Editora, 1957 (adaptado).

Os textos abordam o contato da língua portuguesa com outras línguas e processos de variação e de mudança decorridos desse contato. Da comparação entre os textos, conclui-se que a posição de João de Barros (Texto II), em relação aos usos sociais da linguagem, revela

A) atitude crítica do autor quanto à gramática que as nações a serviço de Portugal possuíam e, ao mesmo tempo, de benevolência quanto ao conhecimento que os povos tinham de suas línguas.
B) atitude preconceituosa relativa a vícios culturais das nações sob domínio português, dado o interesse dos falantes dessa línguas em copiar a língua do império, o que implicou a falência do idioma falado em Portugal.
C) o desejo de conservar, em Portugal, as estruturas da variante padrão da língua grega — em oposição às consideradas bárbaras —, em vista da necessidade de preservação do padrão de correção dessa língua à época.
D) adesão à concepção de língua como entidade homogênea e invariável, e negação da ideia de que a língua portuguesa pertence a outros povos.
E) atitude crítica, que se estende à própria língua portuguesa, por se tratar de sistema que não disporia de elementos necessários para a plena inserção sociocultural de falantes não nativos do português.

Alternativa Oficial D.

Textos para as questões 132 e 133

Texto I

[...] já foi o tempo em que via a convivência como viável, só exigindo deste bem comum, piedosamente, o meu quinhão, já foi o tempo em que consentia num contrato, deixando muitas coisas de fora sem ceder contudo no que me era vital, já foi o tempo em que reconhecia a existência escandalosa de imaginados valores, coluna vertebral de toda ‘ordem’; mas não tive sequer o sopro necessário, e, negado o respiro, me foi imposto o sufoco; é esta consciência que me libera, é ela hoje que me empurra, são outras agora minhas  preocupações, é hoje outro o meu universo de problemas; num mundo estapafúrdio — definitivamente fora de foco — cedo ou tarde tudo acaba se reduzindo a um ponto de vista, e você que vive paparicando as ciências humanas, sem suspeita que paparica uma piada: impossível ordenar o mundo dos valores, ninguém arruma a casa do capeta; me recuso pois a pensar naquilo em que não mais acredito, seja o amor, a amizade, a família, a igreja, a humanidade; me lixo com tudo isso! me apavora ainda a existência, mas não tenho medo de ficar sozinho, foi conscientemente que escolhi o exílio, me bastando hoje o cinismo dos grandes indiferentes [...].

NASSAR, R. Um copo de cólera. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Texto II

Raduan Nassar lançou a novela Um Copo de Cólera em 1978, fervilhante narrativa de um confronto verbal entre amantes, em que a fúria das palavras cortantes se estilhaçava no ar. O embate conjugal ecoava o autoritário discurso do poder e da submissão de um Brasil que vivia sob o jugo da ditadura militar.

COMODO, R. Um silêncio inquietante. IstoÉ. Disponível em: http://www.terra.com.br. Acesso em: 15 jul. 2009.

Questão 132 - Na novela Um Copo de Cólera, o autor lança mão de recursos estilísticos e expressivos típicos da literatura  produzida na década de 70 do século passado no Brasil, que, nas palavras do crítico Antonio Candido, aliam “vanguarda estética e amargura política”. Com relação à temática abordada e à concepção narrativa da novela, o texto I

A) é escrito em terceira pessoa, com narrador onisciente, apresentando a disputa entre um homem e uma mulher em linguagem sóbria, condizente com a seriedade da temática político-social do período da ditadura militar.
B) articula o discurso dos interlocutores em torno de uma luta verbal, veiculada por meio de linguagem simples e objetiva, que busca traduzir a situação de exclusão social do narrador.
C) representa a literatura dos anos 70 do século XX e aborda, por meio de expressão clara e objetiva e de  ponto de vista distanciado, os problemas da urbanização das grandes metrópoles brasileiras.
D) evidencia uma crítica à sociedade em que vivem os personagens, por meio de fluxo verbal contínuo de tom agressivo.
E)  traduz, em linguagem subjetiva e intimista, a partir do ponto de vista interno, os dramas psicológicos da  mulher moderna, às voltas com a questão da priorização do trabalho em detrimento da vida familiar e amorosa.

Alternativa Oficial D.

Questão 133 - Considerando-se os textos apresentados e o contexto político e social no qual foi produzida a obra Um Copo de Cólera, verifica-se que o narrador, ao dirigir-se à sua parceira, nessa novela, tece um discurso

A) conformista, que procura defender as instituições nas quais repousava a autoridade do regime militar no Brasil, a saber: a Igreja, a família e o Estado.
B) pacifista, que procura defender os ideais libertários representativos da intelectualidade brasileira opositora à ditadura militar na década de 70 do século passado.
C) desmistificador, escrito em um discurso ágil e contundente, que critica os grandes princípios humanitários supostamente defendidos por sua interlocutora.
D) politizado, pois apela para o engajamento nas causas sociais e para a defesa dos direitos humanos como uma única forma de salvamento para a humanidade.
E) contraditório, ao acusar a sua interlocutora de compactuar com o regime repressor da ditadura militar, por meio da defesa de instituições como a família e a Igreja.

Alternativa Oficial C.

Questão 134 - Nunca se falou e se preocupou tanto com o corpo como nos dias atuais. É comum ouvirmos anúncios de uma nova academia de ginástica, de uma nova forma de dieta, de uma nova técnica de autoconhecimento e outras práticas de saúde alternativa, em síntese, vivemos nos últimos anos a redescoberta do prazer, voltando nossas atenções ao nosso próprio corpo. Essa valorização do prazer individualizante se estrutura em um verdadeiro culto ao corpo, em analogia a uma religião, assistimos hoje ao surgimento de novo universo: a corpolatria.

CODO, W.; SENNE, W. O que é corpo(latria). Coleção Primeiros Passos. Brasiliense, 1985 (adaptado).

Sobre esse fenômeno do homem contemporâneo presente nas classes sociais brasileiras, principalmente, na classe média, a corpolatria

A) é uma religião pelo avesso, por isso outra religião; inverteram-se os sinais, a busca da felicidade eterna antes carregava em si a destruição do prazer, hoje implica o seu culto.
B) criou outro ópio do povo, levando as pessoas a buscarem cada vez mais grupos igualitários de integração social.
C) é uma tradução dos valores das sociedades subdesenvolvidas, mas em países considerados do primeiro mundo ela não consegue se manifestar porque a população tem melhor educação e senso crítico.
D) tem como um de seus dogmas o narcisismo, significando o “amar o próximo como se ama a si mesmo”.
E) existe desde a Idade Média, entretanto esse acontecimento se intensificou a partir da Revolução Industrial no século XIX e se estendeu até os nossos dias.

Alternativa Oficial A.

Questão 135 -

Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e
                                                     [comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e
                                                     [sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.

Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com seus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, como se percebe claramente na construção do poema Confidência do Itabirano. Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acima

A) representa a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização de expressões e usos linguísticos típicos da oralidade.
B) apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de fatos e dados históricos.
C) evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagens que representam a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição do indivíduo.
D) critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia em comparação com as prendas resgatadas de Itabira.
E) apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da infância e do amor pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.

Alternativa Oficial C.

5 comentários:

  1. VLW adorei esse site me ajudou muitooo
    bjinhos:*

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  2. SEU SITE É DEMAIS!!
    ESTA ME AJUDANDO MUUUITO...

    BEIJOS

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  3. mim ajudou bastante... valeu. muito obrigado!!!

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